Da literatura, parte dois

Açores - João de Melo (D. Quixote, 2016)


Não há guias de viagem dos Açores no continente. Parece uma anedota mas é um facto: não existe qualquer tipo de guia dos Açores à venda em livrarias físicas. Se, por um qualquer acaso, se encontre, das duas uma, ou são edições antigas e desactualizadas ou é mesmo necessário recorrer a serviços online para efectuarmos a compra. Existindo guias de mil destinos possíveis, inclusive do arquipélago da Madeira, este vazio de informação relativo aos Açores é algo inexplicável. Daí que, aquando da minha partida para as ilhas, tenha desesperado em busca de todas as referências de locais a visitar. Numa destas incursões, deparei-me com uma nova edição do livro Açores de João de Melo. Este autor açoriano, vencedor do Prémio Vergílio Ferreira, tendo atravessado por duas vezes as nove ilhas que compõem o arquipélago, criou um autêntico bloco de notas de viagem não sendo, sequer, necessário recorrer a qualquer tipo de guia. Revisto e acrescentado para que possa ser facilmente transportado pelo viajante, este magnífico livro é o olhar de apaixonado de um insular por pequenos retalhos de terra sobre o mar que são tão difíceis de clarificar através de palavras.
Folhei-o antes de partir, fui percorrendo as suas páginas à medida que avançava na minha viagem e deixei-me conduzir. Deixei eu própria de parte o meu bloco de notas e revi-me, ali, em todos aqueles lugares fascinantes que compõem um pequeno paraíso pintado em tons de verde e azul.

O livro pode ser lido antes de se partir à descoberta do desconhecido; ou relido no regresso a casa, depois de visitar as ilhas, com o fim de recuperar emoções e aferir as imagens nele descritas pelas opiniões de cada um. Uma leitura posterior à viagem não deixará de constituir uma forma de sintetizar esta aventura sempre tão extraordinária, como sempre há-de ser a peregrinação pelas nove ilhas dos Açores: um lugar turístico, sim, mas também poético e literário à medida de cada viagem e da sua aventura.