Da vida na aldeia, parte cinco




Serra da Lousã - Setembro de 2016.

A dificuldade de fotografar natureza é, para mim, um desafio constante. Não a vejo como um problema, mas sim como um estimulo. Este ano, ainda com as temperaturas demasiado elevadas para a estação outonal já presente, tinha decidido, com o equipamento correcto, tentar a minha sorte a fotografar veados, durante a brama, na Serra da Lousã. Sob um céu nublado, depois de muitos quilómetros percorridos com demasiado peso às costas e nas mãos, fui brindada com um dos momentos mais mágicos e incríveis que presenciei desde que transporto uma câmara e uma objectiva montanhas acima. Após as nuvens partirem, com um pôr do sol a ameaçar levar consigo a última luz dourada do dia, demasiado cansada, frustrada e sem esperança de captar uma única imagem, eis que, no topo de uma montanha, poucos metros acima de mim, se revelam dois machos em disputa. Por entre o bramar assustador de dois animais de porte imponente, sem pensar sequer, foi a oportunidade ideal de congelar o tempo. O esforço foi recompensado em meros minutos que, a mim, me pareceram horas. E, ali, com tamanha adrenalina, tudo se esquece, tudo se apaga. Apenas se respira. E agradece.