Da vida na aldeia, parte onze

Garça-branca-pequena (Egretta garzetta), Foz do Douro, Porto - Janeiro de 2017.

Não, eu não posso viver à beira-mar. Porque, das duas uma: ou me fico pasmado, parvo, de boca aberta diante deste Doiro de água, ou enlouqueço a sentir bater em mim angustiosa desta massa imensa. No primeiro caso, sinto-me morrer de imbecilidade; no segundo, estou sempre de mão no pulso a ver quando o coração se cansa.


in Diário, vols. I a IV de Miguel Torga (Dom Quixote, 1995)