Diário, parte um

Orgulho-me da equipa que somos. Esbanjo arrogância, até, quando penso naquilo em que nos transformámos, naquilo que, diariamente, construímos. É por isso que, enquanto escrevo estas palavras, aqui, à beira do Douro, relembro com ternura a madrugada de há alguns dias atrás. 5h30 da manhã, o termómetro não marcava sequer temperaturas positivas e, nós, com tamanha incumbência e responsabilidade de fotografar aquele cenário, com aquela cor, rumámos até à beira do Atlântico com a tralha do costume. Ainda que o desconforto do frio fosse imenso, ainda que o pano de fundo com o qual a natureza nos presenteou não fosse, de todo, o ideal, no final do dia, enquanto exaustos seleccionavámos as imagens para posterior edição, senti um orgulho inexplicável. Orgulho-me muito da equipa que somos, interiorizei. Lado a lado, no mesmo espaço, com o mesmo horizonte, conseguimos captar olhares completamente diferentes. Não se trata, na realidade, de ser original, ser díspar, não, é apenas um grau de cumplicidade tal que somente as imagens conseguem contar a história. É este o poder dignificador da fotografia. Conseguirmos nos manter fiéis à visão que temos do mundo e, ainda assim, em dupla, mostrar a mesma perspectiva de formas distintas. É isto o amor, afinal.