Da literatura, parte sete

O Monte dos Vendavais - Emily Brönte (Relógio D'Água, 2016)


Cumprindo com o acordado, não comprar livros até folhear os oitenta e muitos exemplares por ler, há que retornar aos clássicos. Afinal, são estes, que completam a maior parte do espaço nas minhas estantes. A escolha não foi difícil, até porque a ânsia de retornar aos romances da época vitoriana era muita. Nesta minha descrença em ler escritoras femininas, são talvez as inglesas vividas naquele tempo que me incitam um maior prazer.
O Monte dos Vendavais de Emily Brönte, é uma obra fascinante. Passado nos últimos anos do século XVII, princípios do século XVIII, a narrativa desdobra-se no meio rural, num lugar remoto afastado da civilização. Com uma cativante e delicada escrita, contada através das memórias de uma governanta, a obra assenta na história de duas famílias que, após a vinda de um membro externo às mesmas, irão ver-se envolvidas numa perseguição doentia de vingança. Repleto de descrições ao bom tom do realismo, com personagens bem construídas e um equilíbrio atroz no que respeita à descoberta, passo a passo, do mistério que envolve a trama, este livro está ao mais alto nível da Literatura.

(Do desconsolo que é saber que a jovem Emily, infelizmente, não teve tempo de escrever mais nenhum livro.)