Da vida na aldeia, parte vinte


Vila Nova de Foz Côa, Março de 2017.


Há dias em que escrever também me aborrece, há dias em que puxar pela cabeça, em vão, de forma a encontrar as palavras certas se revela uma missão impossível. Há dias assim, como a Primavera chuvosa que desabrocha lá fora, cinzentos e melancólicos, em que somente uma fotografia é capaz de falar por si. E é por isso que trabalho, que trabalhamos, com afinco em torno desta arte. É para dias assim, em que as imagens substituem as palavras, que nos debruçamos para encontrar a luz e cenários perfeitos. É por isto que vale a pena, ainda que nem sempre a Natureza colabore. É por isto, sim, para que uma simples fotografia se expresse por ela própria e seja capaz de, não sendo esse o seu objectivo primordial, contar histórias através de uma linguagem que se sobreponha às palavras.