Diário, parte cinco

Ainda me espanta, sem precedentes, ouvir alguém afirmar que não gosta de ler, que os livros não têm grande utilidade e que, numa sociedade de informação e comunicação tecnológicas, a Literatura é uma arte do passado. Infelizmente, e com grande pesar, como leitora compulsiva e vivendo pessoal e profissionalmente lado a lado com os livros, escuto esta premissa mais vezes do que gostaria. Oiço e assinto porque, na realidade, há verdades absolutas que desisti defender. Creio nas mesmas, levo-as a peito e pratico-as, para além disso, não me é essencial gastar latim a contrariar pensamentos alheios. Lamento, apenas e só.
Lastimo que a Literatura não seja uma arte acessível a todos, que não permita despertar amor, tal como a música, o cinema ou mesmo a fotografia. Para mim, mais do que estas últimas, a Literatura tem estado sempre presente. Sem qualquer tipo de incentivo ou estimulo, dei por mim a caminhar sempre com um livro debaixo do braço, sempre. Foi graças a esta arte tão nobre que desenvolvi determinadas capacidades ao nível da linguagem oral, escrita ou mesmo no que respeita à criação criativa. Primeiro com obras menores, depois com refinamento e cuidado na escolha das obras a folhear. Sublinho, ainda me admiro quando ditam que ler é perda de tempo. Angustia-me até, que nesta nossa curta passagem, haja quem nunca terá o prazer de experimentar Lev Tolstói, Valter Hugo Mãe, Knut Hamsun, Eça de Queiroz, Fiódor Dostoiévski, dentre tantos, tantos outros. Compadeço-me, até, que actualmente debruçada nas páginas do brilhante O Monte dos Vendavais de Emily Brönte exista quem, sem fundamentos possíveis, possa declarar que a Literatura é uma arte menor.