Da literatura, parte dez


O Apelo da Floresta - Jack London (Relógio D'Água, 2009).


Este livro conta a história de Buck, descendente de um cruzamento entre um cão São Bernardo e uma cadela Collie. Imponente, vive uma vida confortável, subjugado a uma família rica. No entanto, é após o seu inesperado rapto que, vendido a "caçadores de ouro" das montanhas do Canadá, se irá ver obrigado a trabalhar como cão de trenó. Longe do seu mundo, longe do aconchego das pessoas civilizadas e da educação que outrora experimentou, Buck irá recorrer às suas mais profundas forças para conseguir viver no frio inóspito do Árctico. Aqui irá testemunhar o pior e o melhor dos outros, tanto os seus semelhantes como os Homens. Uma força da natureza que me transmitiu, de forma intensa, tanto desespero como determinação. Um apelo à verdade.

Porque, para mim, o poder da Literatura reside, em parte, na hipótese de conseguir, enquanto arte, mudar a vida das pessoas ou, pelo menos, alterar pequenas nuances da mesma. A Literatura, com "L" maiúsculo, não se resume ao entretenimento, amplifica-se para além da reflexão e do conhecimento. O Apelo da Floresta de Jack London é um bom exemplo disso, podendo ser lido de forma literal ou como uma alegoria que descreve aquilo que somos, enquanto seres humanos. Um pequeno livro que, para os olhares de incompreensão e horror, podia servir de guia justificativo no que concerne à obra de arte que tenho tatuada na pele. Porque longe, somos todos animais selvagens. Porque aqui, cá dentro, há um lobo em mim.