Da Sétima Arte, parte três


A força de uma fotografia consiste em conservar disponíveis instantes que o fluxo normal do tempo imediatamente substitui. Este congelamento do tempo - a insolente comovedora estase de cada fotografia - produziu cânones de beleza novos e mais abrangentes. Mas as verdades que podem ser reportadas a um momento isolado, por mais significativas ou decisivas, têm uma relação muito limitada com as exigências da compreensão. Contrariamente ao que sugerem os argumentos humanistas a favor da fotografia, a capacidade da câmara para transformar a realidade em beleza deriva da sua relativa insuficiência como meio para veicular a verdade.


in Ensaios sobre Fotografia de Susan Sontag (Quetzal, 2012). 

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