Da literatura, parte vinte e quatro

No domingo passado fomos à praia, que fica a uma milha daqui, estava um daqueles dias de outono em que o verão se tinha prolongado e invadido tudo de calor e serenidade, ao mesmo tempo que há muitos turistas tinham regressado a casa e a praia estava deserta. Levei as crianças comigo a dar um passeio no bosque, que vem até à orla da praia e que consiste principalmente em árvores de folha caduca, misturadas com um ou outro pinheiro de tronco avermelhado. O ar estava calmo e quente e, no céu de um azul um pouco escuro, o sol declinava pesado de luz. Seguimos por um caminho para o interior, e ali no meio do bosque, estava uma macieira carregada de maçãs. As crianças ficaram tão admiradas como eu, as macieiras são árvores que crescem nos jardins e não em estado selvagem no meio dos bosques. Podemos comê-las, perguntaram elas. Respondi que sim, sirvam-se. Num relance, tão cheio de alegria como de pesar, compreendi o que era a liberdade.


in No Outono de Karl Ove Knausgård (Relógio D'Água, 2016)


A saborear cada frase de mais um magnifico livro do autor norueguês. Desta beleza que reside na simplicidade das palavras.

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