Diário, parte vinte e um

Ainda sobre o silêncio e sobre estas noites que antecipam o Outono. Sobre a quietude, depois do jantar, de nos aninharmos um no outro e de nos deixarmos ficar apenas assim, entre as mantas e o conforto dos nossos corpos. Sobre este hábito tão agradável de desligarmos a televisão e, no sossego, cada um pegar no seu livro e caminharmos em dois mundos paralelos que se tocam. Ele, em Nápoles, na Itália, ao ritmo de Elena Ferrante, eu perdida nas ruas de Estocolmo, na Suécia, embalada nas descrições de Karl Ove Knausgård. E ficamos assim, ali, até o sono bater à porta e pedir licença para se instalar. Dispomos ambos os livros na cabeceira e divagamos sobre o que lemos, sobre o que é para nós a Literatura e sobre o espaço que ela ocupa nas nossas vidas. E as palavras sobrepõem-se e o entusiasmo obriga a manifestações exacerbadas sobre a arte da escrita.  E é assim, dia após dia, mesmo quando os olhos se fecham sem tempo para desejar boa noite. Adormecemos profundamente com a certeza do que é o amor.

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