Da Literatura, parte trinta

Na escola, aprendi alguma coisa sobre as ondas sonoras. O som é uma realidade material e pode ser medido em decibéis, embora achasse pouco satisfatório medir o som com os números de uma tabela. O silêncio é sobretudo uma ideia. Uma noção. O silêncio que nos rodeia pode conter muito, mas o tipo de silêncio mais interessante é o interior. Um silêncio que cada um de nós tem de criar. É por isso que já deixei de tentar criar silêncio absoluto à minha roda. O silêncio que procuro é o silêncio interior.

(...)

Acredito que é possível que cada um de nós descubra o silêncio no seu interior. Está sempre lá, mesmo quando estamos rodeados de ruído constante. Nas profundezas do oceano, sob as ondas e as ondulações, podemos encontrar o nosso silêncio interior. No duche, deixando que a água nos corra sobre a cabeça, sentados diante de uma lareira que crepita, ao nadar num lago da floresta ou dando uma volta pelo campo - todas as ocasiões também podem dar azo a uma experiência de silêncio perfeito. Adoro isso.


in Silêncio da Era do Ruído de Erling Kagge (Quetzal, 2017)


Por aqui, muito se tem escrito e citado sobre o silêncio. Mais do que um estudo profundo sobre o mesmo, existe a necessidade urgente da percepção e interiorização do mesmo.

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