Da vida na aldeia, parte setenta



Coimbra.


Todos nós já passámos, um dia ou outro, por esta experiência do ilimitado: no meio da floresta, ao determo-nos subitamente, imóveis, no meio de uma multidão em movimento, ao regressarmos a casa de autocarro a meio da noite, ao escutar as conversas dos amigos - de longe - sem realmente os escutar... De todas essas vezes, o silêncio apanhou-nos numa emboscada. Entre as palavras, entre as imagens habituais, entre as sensações familiares, existe um universo paralelo, uma calma absoluta e benéfica, cujo acesso é ciosamente guardado pelas sentinelas da concentração e da consciência plena. Porque - sejamos claros - o silêncio não tem nada, mas rigorosamente nada, que ver com a ausência de ruído!


in A Magia do Silêncio de Kankyo Tannier (Arena, 2018).