Diário, parte trinta e dois

Inteligência é a capacidade de aceitar o que nos rodeia, escreveu William Faulkner. E também de aceitar que o Outro nas suas diferenças, acrescentaria eu, que sempre quis ver o meu nome ao lado do autor de Absalom! Absalom! Afirmação essa, a da aceitação, que vai perdendo a sua característica de evidente truísmo nestes dias em que vivemos, embrenhados em constantes dicotomias, clivagens políticas, sociais, religiosas. Na quase permanente intolerância de que é aterrador palco o "diz contra quem disse", das redes sociais.
No entanto, essa tolerância para com as práticas em que não acreditamos não invalida que se deva exigir, a quem as pratica, a mesma seriedade, comportamento deontológico e responsabilização que se exige a outras, regulamentadas e legisladas. Na área das terapias alternativas ou complementares há óptimos e péssimos profissionais. Vendilhões do Templo e voluntários dedicados, mestres com pés de barro e sábios repletos de humildade e dádiva.
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Algo no entanto me parece evidente: há cada vez mais joio no meio do trigo, nesta época em que os psicólogos são substituídos por coachers e em que surgem artigos em jornais online, com reputação junto dos seus leitores, sobre temas como o modo de adequar o tipo de exercício físico e de jogging à cor da aura de cada um.


in Terapias, Energias e algumas Fantasias de João Villalobos (FFMS, 2017).