Diário, parte trinta e três

Um dia hei-de ter a minha própria biblioteca infantil. Um dia próximo, eu espero, hei-de conseguir, aos poucos, adquirir tantos e tantos livros que me fascinam. Hei-de ter uma estante só para eles, hei-de arranjar tempo para os folhear, um a um, e observar as suas pequenas palavras e ilustrações fora do comum. Hei-de sonhar enquanto caminho por mundos paralelos e fantasiosos. Hei-de contemplá-los só pelo amor que lhes tenho e, finalmente, deixar de me sentir frustrada sempre que entro nas livrarias dedicadas aos mais pequenos cá na cidade. Hei-de ser capaz, devagarinho, de empilhar desde os clássicos da Relógio D'Água a editoras ou a chancelas mais contemporâneas como a Kalandraka, Orfeu Negro, Máquina de Voar, Bruáa, Planeta Tangerina, Fábula, Edicare, Pato Lógico e tantas outras que me inspiram. Um dia hei-de ter a minha própria biblioteca infantil. Um dia. Até lá desfruto, tal e qual uma criança, das cores que pintam os espaços dedicados a estes objectos tão especiais.