Da Literatura, parte trinta e um

A Magia do Silêncio de Kankyo Tannier (Arena, 2018)


Silêncio e solidão combinam na verdade, como duas vozes que criam, juntas, uma terceira, de ressonância infinita.
Para alguns, estar só representa o Graal, ou até o sonho absoluto! Penso naquelas mães de família que apagaram essa palavra do seu vocabulário. «Estar só? Para ler ou ouvir música? Sim, fazia isso quando era estudante, mas nessa altura...» Para outros a solidão é algo a evitar a todo o custo: não querem estar a sós consigo próprios, com receio de que isso os deprima. A vida dessas pessoas é uma sucessão de festas, passeios, aventuras. Qualquer coisa é melhor do que voltar para casa ao fim do dia para um apartamento vazio.
Em ambos os casos, tudo é - como sempre - uma questão de perspectiva. Uma pessoa entrará em casa, descalçará os sapatos e sentar-se-á no sofá, suspirando de felicidade e alívio. Uma outra deixará as crianças na escola e desfrutará do caminho de regresso, caminhando devagar, saboreando a calma... Sós, sob a luz.
O silêncio gosta muito de se manifestar na solidão. Por «solidão» entendemos essa sensação de estarmos ligados a nós próprios. De termos latitude, espaço, tempo para estarmos em contacto com a nossa intimidade mais serena. (...) solidão consentida, de um confortável olhar para dentro de nós, capaz de nos alimentar antes de regressarmos ao mundo. Uma solidão voluntária, procurada, na qual a aprendizagem se faz muito mais depressa.
(...)
Por vezes, basta programarmos algumas horas «sem fazer nada», como momentos roubados, para aprendermos a estar sós e a desembaraçar nas margens soalheiras do nosso verdadeiro eu, que é muito mais vasto do que poderíamos imaginar. 


Meia hora de meditação diária. É o que basta para começar, devagarinho.

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