Diário, parte quarenta e um

Há quem deseje, com todas as suas forças, viajar pelo mundo e congelar os momentos e as pessoas através de uma lente de uma câmara fotográfica. Já eu, que adoro fotografar os mais ínfimos pormenores com que a natureza nos presenteia, só queria conseguir escrever sobre as pessoas. As pessoas da minha infância, as pessoas da aldeia que me viu nascer e as pessoas que todos os dias me inspiram. Escrever sobre pessoas que, de tão simples, são grandiosas. Só queria ser capaz de transformar a memória em poesia. Não é que a fotografia seja uma arte menor comparativamente com a literatura, é só que esta última transporta um romantismo e um legado imortal que as imagens nunca conseguirão alcançar.